15 de novembro de 2022 – fevereiro de 2024
Curadoria de Morad Montazami
Latif Al Ani (1932-2021), conhecido como o “pai da fotografia iraquiana”, foi o primeiro a capturar extensivamente a vida cosmopolita do Iraque nas décadas de 1950-1970. As suas imagens a preto e branco representam uma memória visual única do país durante a sua época dourada e um importante património pós-colonial. Introduzida no Iraque pela comunidade arménia, a fotografia foi controlada ao longo da primeira metade do século XX pelas autoridades coloniais britânicas.
Através da intensa colaboração com a Iraq Petroleum Company, as imagens registadas por Al Ani dos anos 50 simbolizam o boom socioeconómico no Iraque durante a monarquia pós-colonial. Ele foi o primeiro fotógrafo local a desenvolver tal ponto de vista e, sem dúvida, um genuíno “pintor da vida moderna” do seu país, muito além de um mero documentarista ou um foto-repórter.
Em 1960, Al Ani mudou-se para o que viria a ser o Ministério da Cultura e criou o seu departamento de fotografia. A revista do departamento trazia um título que poderia facilmente ser aplicado a toda a sua obra: o “Novo Iraque”. Na década de 1970, cada vez mais autoritária, Al Ani chefiou a divisão de fotografia da Agência de Notícias Iraquiana até Saddam Hussain chegar ao poder e proibir a fotografia pública em 1979. Depois, largou a câmara para sempre.
Seu nome e corpo de trabalho desapareceram junto com seus arquivos após o bombardeio de Bagdá em 2003. Felizmente, porém, a Fundação da Imagem Árabe (AIF) em Beirute já havia adquirido alguns de seus trabalhos.
Esta exposição representa um importante conjunto de obras de Latif da Coleção Farjam.








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